Poluição do ar em Belo Horizonte supera limite da OMS em todas as vias analisadas, aponta estudo da UFMG
Foto: Banco de imagens do Canva/Getty Imagens
Um estudo desenvolvido no Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revelou que todas as vias analisadas em Belo Horizonte apresentam níveis de poluição do ar acima do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A pesquisa identificou a Rua Padre Eustáquio, na região Noroeste da capital, como o ponto com maior concentração média de material particulado, principal indicador da qualidade do ar e associado ao aumento do risco de doenças respiratórias e cardiovasculares.
A pesquisa, conduzida pelo climatologista Alceu Raposo Júnior durante seu doutorado em Geografia, mediu a concentração de partículas em importantes corredores da cidade utilizando uma estação móvel e automática de baixo custo. Segundo o levantamento, a Rua Padre Eustáquio registrou média de 78 microgramas por metro cúbico, enquanto avenidas como Nossa Senhora do Carmo, Silva Lobo, Barão Homem de Melo e Antônio Carlos apresentaram índices próximos de 69 microgramas. Todos os valores ficaram acima do parâmetro de 45 microgramas por metro cúbico adotado pela OMS.
De acordo com o pesquisador, a configuração urbana exerce papel decisivo na dispersão dos poluentes. Ruas estreitas, cercadas por edificações e com trânsito intenso favorecem a formação de áreas de baixa ventilação, fazendo com que a fumaça emitida pelos veículos permaneça concentrada por mais tempo. Já avenidas mais largas e com maior afastamento entre as construções, como a Antônio Carlos, conseguem dispersar melhor os poluentes, mesmo recebendo grande fluxo de automóveis. Durante o inverno, o problema se intensifica devido à menor capacidade da atmosfera de remover essas partículas, favorecendo a formação dos chamados bolsões de poluição.
Além de mapear a qualidade do ar na capital mineira, a pesquisa também validou uma metodologia baseada em sensores automáticos móveis de baixo custo. O equipamento utiliza um sistema de sucção do ar e um sensor óptico a laser para contabilizar as partículas em suspensão, permitindo o monitoramento durante o deslocamento pelas ruas da cidade. A proposta é tornar esse tipo de medição mais acessível e ampliar o monitoramento da poluição atmosférica em outros municípios brasileiros.
Os resultados reforçam a importância do planejamento urbano e da mobilidade na qualidade do ar das cidades. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a poluição atmosférica está associada a milhões de mortes prematuras todos os anos em decorrência de doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, câncer de pulmão e enfermidades respiratórias. Para os pesquisadores da UFMG, o uso de tecnologias de monitoramento mais acessíveis pode contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à redução da exposição da população aos poluentes e ao planejamento de cidades mais saudáveis.



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